Conheça a Fábrica de Historinhas
A Fábrica de Historinhas surge de uma parceria entre o Clube de Autores (Brasil) e a StoryTellme (Portugal) com o intuito de modernizar a maneira com que a literatura é trabalhada para crianças.
Em uma era caracterizada pelo excesso de estímulos comunicacionais voltados para a criança por todos os meios existentes, envolvê-la de maneira mais densa no universo de histórias passa a ser um desafio de imensas proporções. Esse envolvimento, no entanto, é fundamental para que a criança aprenda desde cedo a manter-se mais concentrada e a se aprofundar nos mais diversos assuntos, habilidades essas que infelizmente vem se perdendo em uma sociedade crescentemente superficial.
Como solução, a Fábrica de Historinhas inverteu a lógica de se trabalhar histórias para crianças: ao invés de deixá-las como meras espectadoras ou ouvintes de relatos envolvendo personagens terceiros, nós inserimos o próprio universo de cada criança nas histórias.
Assim, a própria criança e seu círculo próximo – pai, mãe, irmãos, avós e amigos – passam a ser personagens em histórias originais e personalizadas. Em outras palavras: produzimos experiências únicas e histórias de fantasia, onde a criança empresta o seu mundo às personagens, podendo ser o herói ou heroína, vilão ou vilã, mascote ou ajudante.
E como ela recebe essas histórias? Em livros mensais, abordando os diversos temas e trabalhando estímulos fundamentais à formação, tanto em formato impresso quanto eletrônico.
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A colcha mágica
Ganhamos, nesse último final de semana, um presente incrível para a minha filha mais nova – que completa um mês amanhã -da sua madrinha: essa colcha mágica abaixo.
Perceba que ela não é, exatamente, só uma colcha: é um cenário.
Ela vem com bonequinhos de pano. Vem com um livrinho de história. Vem, portanto, perfeita para embrulhar uma criança de fantasias.
Sim: uma criança de menos de um ano com certeza não se apegará às nuances de um livro infantil tradicional. Mas cabe ao mundo que a cerca, do qual nós, pais, fazemos parte, desenvolver essa vontade de se encantar.
Ainda não usei a colcha – mágica por envolver a criança, literalmente, em um sonho – com a pequena Alice. Mas oportunidades certamente não faltarão.
Teatrinhos provocando risos, enredos fabricando sinapses, vozes despertando curiosidades: há presente melhor para uma criança que algo que permita tanta magia?
A calma
Quem tem mais de um filho ou filha saberá do que estou falando.
Basta que a barriga cresça ao ponto de parecer insustentável e pronto: a cabeça do mais velho começa a rodopiar, tensa, angustiada, nutrindo aquela curiosidade agonizante sobre o que acontecerá com ela depois que aquele novo e estranho ser romper a barriga da mãe.
Do nosso lado, não foram poucos os desafios. Houve questionamentos, pavores, tiques, camas molhadas. Houve agonia mútua.
Sim, mútua: que pais não se angustiam, afinal, ao perceber a angústia de uma filha?
Mas não havia muito o que fazer senão perseverar, atentos e calmos. Ser pai também é isso: saber manter a calma e o raciocínio frio até nos momentos mais complicados.
Nessas últimas semanas ficamos ali, equilibrando historinhas tranquilizadoras com tentativas de conversas francas e aprofundadas. Fizemos os nossos cortes, demos as nossas broncas quando elas se fizeram necessárias – mas, sobretudo, fomos medindo e tentando desarmar a angústia.
A irmãzinha nasceu. Os três dias de hospital foram uma espécie de clímax da tensão, um ambiente em que todas as dúvidas sobre o futuro que já se transformava em presente pareceram eclodir. Ficaríamos nós dois, pai e mãe, inteiramente dedicados à filha mais nova e ignorando ela, a mais velha, que passaria a viver com os avós na casa? Nunca mais sairíamos daquele hospital? Aquela seria a nossa nova casa, a nossa nova prioridade única de vida?
Para uma criança de 5 anos, sempre vale lembrar, ainda existem monstros sob a cama. Para uma criança de 5 anos, a cama sob a qual os monstros se escondem muitas vezes se chama ‘solidão’.
Mais papos retos. Mais historinhas.
Até que fomos para casa.
Muitas novas introduções: construir a ponte entre filha mais velha e mais nova é sempre fundamental. O que seria do conceito de família sem isso, afinal?
Nova rotina, visitas de curiosos, avós ainda em casa prestando aquela tão fundamental ajuda com as coisas do cotidiano.
Não sei bem em que momento mas, há alguns dias, as coisas pareceram começar a entrar no que podemos chamar de normalidade.
Tiques sumiram, risos choveram com mais frequência, sobrancelhas mudaram de ângulo. Aos poucos, como todas as mudanças importantes da vida. Mas decisivamente.
No domingo passado, os avós voltaram para Portugal, onde vivem. Foi triste, claro – não há despedida feliz. Houve choros, houve promessas de voltas breves, houve aquelas dores de separação que já eram familiares a todos. Vidas em família também são feitas delas.
Ontem de manhã fui a quarto da minha mais velha acordá-la para a escola. Na noite anterior contei a ela uma historinha sobre uma baleia perdida que encontrara o rumo de casa e voltara para a sua família, seguindo com a vida. O livro fora escolhido por ela -uma escolha perfeita.
O sono foi calmo, inteiro.
O despertar, idem.
Ela foi para a escola tranquila, falante, deixando beijos para a irmã mais nova e ignorando boa parte das manifestações físicas das angústias que por tanto tempo a perseguiam.
Passados ficaram no passado.
Sim, sei que novas angústias certamente virão – a vida, afinal, é um infinito ciclo de perigos e vitórias. Mas aquela vitória, pelo menos, parecia estar assegurada.
Quando a deixei dentro da van, seguindo sorridente, suspirei aliviado, cheio daquela certeza de que tudo dará certo.
Subi o elevador de volta.
Em casa, o chorinho faminto da minha nova recém nascida cortava o silêncio da manhã.
Não eram nem 7 horas e o dia já estava tão cheio de acontecimentos.
Já sentiu a reação das crianças ao se verem em uma história?
Temos dois “produtos” aqui na Fábrica: um modelo por assinatura, em que enviamos uma história diferente por mês, e um com histórias de aniversário.
Pelo que percebemos, a maior parte de histórias de aniversário são dadas não pelos pais para os seus próprios filhos, mas sim para os filhos dos outros (incluindo colegas de escola ou familiares). O resultado é incrível.
Como ninguém espera, na prática, receber um livro com sua foto na capa e seu nome protagonizando o enredo, há uma mescla de choque com ansiedade sensacional pela leitura. Aliás, ressalto este ponto: ansiedade pela leitura.
Não é exatamente isso que queremos desenvolver em nossas crianças para que elas se tornem adultos mais cultos, inteligentes e preparados para encarar o futuro?
Sei que sou suspeito para falar mas, ao menos aqui em casa, esse virou o presente oficial das festas dos amigos da minha filha 🙂
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Que tal inverter os papéis?
Crianças de praticamente todas as idades (principalmente a partir dos 3 anos) adoram desenhar. Quando ainda não sabem escrever, os desenhos são as suas formas de contar histórias – muitas das quais escondem personagens assustadores, sonhos fantásticos, visões estereotipadas das pessoas que fazem parte de suas vidas.
Pois bem: e se invertermos os papéis uma noite e fazermos os nossos filhos nos contarem as histórias que criaram a partir das suas ilustrações?
Os primeiros relatos – pelo menos de acordo com a experiência que tive em casa – serão os mais óbvios: casas são casas, borboletas são borboletas, nuvens são nuvens. Mas parte do nosso papel aqui inclui também ser uma espécie de narrador invisível, coadjuvante. Sim, há uma casa – mas o que se passa dentro dela? Sim, há uma nuvem – mas o que acontecerá quando ela decidir chover? E as boboletas voando? O que elas podem estar procurando pelos céus?
A coisa mais incrível desse mundo de histórias é justamente esse infinito de possibilidades.
Sensacional.
Hiperativado
Minha segunda filha nasceu na segunda da semana passada.
De lá para cá houve o natural: lidar com o natural ciúme da minha mais velha, hoje com 5 anos; mergulhar na rotina de troca de fraldas, choros e fomes; ajudar a implementar uma nova rotina de 24 horas na casa; garantir que todos fiquem bem; e, claro, trabalhar. Não há nada de excepcional aqui: todos os pais passam pelas mesmas coisas todos os dias.
Mas, ainda que esteja falando da normalidade, é inegavelmente uma normalidade que cansa.
É como escrever uma nova saga por dia com direito a curvas nos enredos, personagens fantásticos, protagonismos surpreendentes, lições finais e assim por diante.
Mas há outra coisa inegável: a sensação a cada pseudo-final de dia é incrível.
Há coisa melhor que filhos?

As histórias mais longas
No mundo em que vivemos, uma das lições mais difíceis de ensinar a crianças é que elas não podem ter tudo.
A dificuldade é por motivos óbvios: brinquedos estão por toda parte, há uma centena de canais de TV, há um Youtube inteiro com desenhos sob demanda. Aliás, a raiz do problema é exatamente esta: tudo em nossos tempos é sob demanda.
Só que não adianta brigar contra a modernidade: há que se conviver com ela.
Às vezes, com pequenos ‘nãos’ dispersos pelo cotidiano. Às vezes, com regras mais rígidas que tenham como motivo único ensinar limites. E, às vezes, com histórias.
De que maneira?
Crianças menores, com 4, 5 ou 6 anos, costumam ter alguma dificuldade em lidar com a ‘espera’. Isso se reflete bem em histórias: elas querem ir de capa a contracapa, assegurando-se de que terão completado sagas e enredos sem deixar nada para trás.
Fiz um experimento com isso lá em casa há algumas semanas: comprei um livro imenso de fábulas. Seria impossível lê-lo na íntegra em uma noite só: a única alternativa seria ir de fábula em fábula. Uma por noite. Uma de cada vez. Deixando claro que havia muito mais história para os próximos dias naquele mesmo livro do que o que veríamos naquela noite.
No começo, não foi exatamente fácil. Foi difícil para a minha filha conceber a possibilidade de um livro digerido aos poucos, dia a dia: ela parecia mais ‘movida’ pelo fato de não terminá-lo do que pela história que acabava de ouvir.
Persisti, claro.
E o resultado foi incrível.
Nas noites seguintes, a agonia foi cedendo espaço à curiosidade. Ela já sabia que veria uma história por noite – e ficava ansiosa pela noite e por saber quais novos mundos desbravaríamos naquele livro.
Nos dias seguintes, mais calma começou a transparecer – como um súbito movimento de maturação.
Tudo por causa de um livro grande? Certamente que não: mudanças nunca ocorrem por uma única causa. Mas de uma coisa não tenho dúvidas: dormir com a sensação de falta certamente ajuda a lidar melhor com as angústias naturais relacionadas à saciedade dos desejos.

Mais inúmeras histórias a serem contadas
Até hoje, todos os meus posts foram relacionados a histórias contadas para a minha filha Isa, de 5 anos. E foram descobertas fenomenais, confesso: a cada nova fábula, a cada novo conto, mundos novos foram se multiplicando para nós dois: enquanto as sinapses se turbilhavam na sua cabecinha, eu também acabava descobrindo-a a cada novo brilho de olhar, a cada pergunta interessada, a cada “wow” escapulido dos seus pulmões.
Pois bem: na segunda, minha segunda filha, Alice, nasceu.
Nova jornada à vista!
Claro: Alice ainda terá que esperar alguns anos para começar a receber esse fluxo de narrativas loucas retinas adentro… mas já estou tonto de ansiedade para começar.
Multipliquemos, então, as histórias. E as descobertas. E esses momentos tão incríveis que temos com os nossos filhos.
Esta semana sou só felicidade 😉




