Escolas se adaptando à realidade

Educar crianças nunca foi uma missão fácil: há dogmas curriculares, choques de geração, quedas de interesse e incontáveis desafios no caminho entre as disciplinas e as pequenas mentes que, em tese, deveriam absorvê-las. 

Mas o problema, ao menos a meu ver, não é o desafio em si: é o inacreditável conservadorismo das escolas, em especial das brasileiras, que insistem em manter os mesmos métodos do século XIX mesmo cientes de que as suas eficácias são inquestionáveis. Pense bem: faz sentido, hoje, fazer alunos decorarem matérias, evitarem colas em provas e interagirem uns com os outros apenas em esparsas ocasiões? 

Ora… se a escola deveria preparar os alunos para o futuro, porque insistimos tanto em nos prender a realidades de passados tão distantes? Não seria mais efetivo, para ficar apenas em um exemplo, ensinar os alunos a pesquisar conteúdos na Internet durante as provas – incentivando a cola bem feita – ao invés de testar a capacidade de suas memórias? Qual o importante, afinal? Que ele “aprenda a aprender” ou que decore algo que fatalmente esquecerá uma hora depois da prova? 

Voemos para fora do Brasil. Na Finlândia, dezenas de escolas estão experimentando métodos bem diferentes. Ao invés de currículos rigidíssimos, quase vitorianos, eles selecionam temas que estejam em pauta no cotidiano (e que, portanto, já atraem o interesse das crianças) e distribuem as matérias em torno deles. Por exemplo: se o tema é “mudança climática”, eles criam projetos que envolvam matemática, história, geografia e até conceitos básicos da economia para que os alunos aprendam, sempre em grupos e com base em aplicações práticas, cotidianas, os conhecimentos que precisam ter. 

Bem melhor, não? Esse mesmo tipo de método tem se espalhado pelo norte da Europa, gerando alunos muito mais interessados e preparados para o futuro. E nós, aqui no Brasil? 

Certamente há uma ou outra escola com métodos mais interessantes – mas elas são a ampla minoria. Resultado? 

Enquanto o mundo muda para produzir cidadãos mais engajados e apaixonados pelo conhecimento, nós seguimos impondo tabuadas e cronologias de datas inúteis. 

Que nós, pais, consigamos compensar esse conservadorismo escolar engajando os nossos filhos à nossa maneira. 

O fim das férias e o começo (de verdade) de 2017

Quando evocamos a lembrança das férias, costumamos nos lembrar daquela maravilha que era ficar livre da rotina e poder dedicar todo o tempo a brincar. 

É provável que essa seja a mesma percepção que se consolide nas mentes de todas as crianças – mas apenas depois de uma certa idade. 

Aproveitar férias, afinal, tem uma relação direta com a liberdade individual. Quando a própria criança pode descer para a rua do prédio e brincar com os amigos para os quais ela mesmo ligou, poucos são os empecilhos para a diversão. Mas e no caso de crianças menores, com seus 4, 5 ou 6 anos, principalmente as que vivem em grandes centros urbanos famosos pela justificada neurose em torno da questão da segurança? 

Pode-se pensar e criar mil maneiras das crianças pequenas se divertirem e passarem o tempo – mas, no final das contas, elas estarão ainda dependentes das rotinas dos adultos. Descer para brincar? Só se houver alguém mais com elas. Ir a um parque? Idem. Brincar com os amigos? Só se os pais destes também estiverem com condições de combinar esses pequenos programas. 

O resultado disso: para crianças pequenas, principalmente na fase pre-alfabetização, o trecho final das férias é quase um suplício. Saudades dos amigos, tédio e energia acumulada acabam fazendo-as rezar pela volta da rotina escolar. 

Férias, para essas crianças pequenas, são simplesmente longas demais! 

Pois bem: a rotina escolar já começa a voltar a partir da semana que vem na maior parte do país. Com ela, voltam também os horários para dormir, as atividades extra-classe, as rotinas que darão mais sentido às historinhas de dormir. 

Com ela, a página do ano passado finalmente será virada – inclusive pela passagem para uma nova série. 

Com ela, e só com ela, começa realmente o ano de 2017 para os núcleos familiares. 

Assim, nosso desejo para todos não poderia ser diferente: um feliz 2017!!!