Já sentiu a reação das crianças ao se verem em uma história?

Temos dois “produtos” aqui na Fábrica: um modelo por assinatura, em que enviamos uma história diferente por mês, e um com histórias de aniversário

Pelo que percebemos, a maior parte de histórias de aniversário são dadas não pelos pais para os seus próprios filhos, mas sim para os filhos dos outros (incluindo colegas de escola ou familiares). O resultado é incrível. 

Como ninguém espera, na prática, receber um livro com sua foto na capa e seu nome protagonizando o enredo, há uma mescla de choque com ansiedade sensacional pela leitura. Aliás, ressalto este ponto: ansiedade pela leitura. 

Não é exatamente isso que queremos desenvolver em nossas crianças para que elas se tornem adultos mais cultos, inteligentes e preparados para encarar o futuro? 

Sei que sou suspeito para falar mas, ao menos aqui em casa, esse virou o presente oficial das festas dos amigos da minha filha 🙂

Quer saber mais? Clique aqui e conheça o livro personalizado de aniversário da Fábrica!

Livros são muito, mas muito mais importantes que filmes ou desenhos

Desculpem se ofendi alguém com a afirmação no título do post: a ideia não é denegrir nenhuma forma de arte.

Mas repito-me: livros são muito, mas muito mais importantes que filmes ou desenhos.

Por que?

Porque livros são histórias que acontecem na mente dos leitores.

Quando uma criança assiste a um desenho, há todo um enredo devidamente traduzido em figuras, vozes e cenários já criados para ela. Já houve uma interpretação feita por um diretor, já há formas atribuídas para as suas fantasias, já há cores, densidades, importâncias pensadas por outros. A criança apenas as digere.

Não com livros.

Com livros, tudo o que pode haver é a voz de um pai ou mãe lendo para seu filho ou filha. Os cenários? Eles até podem ser ilustrados – mas a falta de movimentos os transporta diretamente para a imaginação de uma criança. Em um livro, é a mente da criança que constrói as ações, que completa os enredos, que determina os estilos de cada um dos personagens.

Filmes e desenhos são assistidos por crianças passivamente.

Livros são sempre co-escritos por elas em suas mentes.

A diferença é brutal – assim como os efeitos para o seu desenvolvimento.

Sobre livros e o ensinamento do Tempo

Para nós, adultos, o Tempo é relativamente simples de entender: temos o nosso passado, dosamos cada uma das decisões que tomamos no dia-a-dia, projetamos com base nelas o nosso futuro. Há, senão uma certeza de que tudo dará certo, pelo menos uma expectativa de previsibilidade. Poucas coisas são mais reconfortantes que isso.

Não para uma criança: para ela, o Tempo é uma caixa preta.

Ela tem, claro, o seu curto passado: tem os dias de ontem, tem as festas que participou, as broncas que tomou e que impregnaram em seu instinto a diferença entre certo e errado. Ela tem também o seu presente – mas a impulsividade com que costuma decidir e reagir, motivada pela pura falta de entendimento sobre consequências de longo prazo, faz com que cada minuto seguinte seja uma possível surpresa. E o futuro? Uma criança de 3, 4, 5, 6 anos tem algum tipo de projeção sobre a sua vida quando tiver 30 ou 40? Não. Ela tem as suas fantasias, o poder lúdico de imaginar o que poderá ser – bailarina, superherói, motorista de ônibus ou médico… mas a própria facilidade com que os sonhos mudam comprova o quão aberto é o futuro.

Isso não está errado – claro. A coisa mais difícil de se entender no mundo é justamente a noção de Tempo: o conhecimento do passado, os efeitos do presente, os impactos disso nas possibilidades do futuro.

Mas, ao mesmo tempo, é também o entendimento mais valioso que uma criança pode ter. Por que? Porque nossa vida é regrada, precisamente, pelo Tempo. Quanto mais cedo o entendermos, mais cedo começaremos a construir as nossas felicidades dosando impulsividade e previsibilidade, intempestividade e controle. Quanto mais cedo entendermos o Tempo, mais cedo conceberemos a fórmula perfeita para transformá-lo em felicidade de acordo com as nossas estruturas de vida.

E esse é, provavelmente, o maior dos benefícios de um livro. Livros, claro, são compostos de enredo – e enredos são pura cronologia. Enredos partem de um cenário inicial, desembocam nas decisões tomadas pelo protagonista, apresentam as consequências dessa decisão. Livros ensinam muito mais do que meia dúzia de lições de moral para crianças: livros ensinam o Tempo.

E ensinam utilizando a linguagem lúdica de uma criança, brincando com sua imaginação, atiçando suas noções de mundo e provocando deduções impossíveis de se ter em outros meios.

Livros são, possivelmente, a maior das invenções do homem para capturar para si a felicidade.

Utilizemo-nos com os nossos filhos.

Infinity time. Digital generated

Conheça o livro personalizado de aniversário!!

Acabamos de lançar, aqui na Fábrica, um projeto diferente: um livro de aniversário.

A ideia é simples (e, ao menos em nossa imodesta opinião, fantástica 🙂 ): publicamos um livro personalizável voltado para aniversário de crianças.

Seu funcionamento é diferente:

Não há a necessidade de assinatura, neste caso: todos podem fazer uma compra avulsa diretamente no site

No ato da compra, a personalização é bem mais completa: a foto da capa, a ilustração dos personagens e seus nomes geram um livro com uma história diretamente relacionada à festa de aniversário dos pequenos.

Temos também duas opções: a compra do livro em si, que chega nos mesmos moldes e tamanhos que os livros da Fábrica (A4), e de pacotes que incluem lembrancinhas para os convidados (livrinhos com a mesma história, só que em formato menor, A6).

Nesse caso, tanto convidados quanto os pais podem aproveitar e dar aos pequenos aniversariantes esse presente incrível: um livro personalizado tendo a própria criança como personagem principal!

Curtiu? Confira lá no nosso site, no www.fabricadehistorinhas.com.br e dê o presente de aniversário mais sensacional do mundo 🙂

Livros gigantes para crianças pequenas?

Sabe qual o único problema de ler historinhas infantis todos os dias? 

Livros tem finais.

No caso da maioria dos livros para crianças de 3 a 7 anos, esses finais costumam ser rápidos, mesmo porque tratam-se de histórias que se desenrolam inteiras em 20 ou 30 páginas. Como fazer, então? 

Comprar 365 livros por ano? Complicado. 

Acabei arrumando uma solução diferente por aqui, com minha filha: temos 3 tipos diferentes de livros.

  • Tipo 1: livros novos, que ela traz da biblioteca da escola ou que compramos. 
  • Tipo 2: livros que já lemos juntos, mas que ela adora e gosta de reler.
  • Tipo 3: livros grandes repletos de pequenos contos. 

Esse terceiro tipo foi uma baita descoberta, ao menos para mim. Veja: livros infantis precisam ser pequenos, claro, para fixar a história dentro do tempo que uma criança consegue ficar focada. Não adianta muito, principalmente para as mais novinhas, ler obras com 20, 30 capítulos – o interesse acaba desmaiando aos poucos. 

É aí que entram livros de contos ou fábulas: cada capítulo é uma história à parte, sendo que todas se somam em um único fio de raciocínio sutilmente mais amplo. E mais: quando a criança se toca de que estamos lendo apenas uma parte daquele mundaréu de páginas e que as outras partes ficarão para os outros dias, ela vai “aprendendo a aprender”, vai entendendo que nem todas as experiências da vida precisam ser deglutidas em suas inteirezas. 

O que estou falando aqui pode parecer óbvio… mas paternidade é assim: cada um de nós descobre, em nossos próprios tempos, as mesmas coisas que, provavelmente, a maioria de nós já está careca de saber 🙂 

Monteiro Lobato e a antecipação da inteligência infantil

Aprendi a ler com Monteiro Lobato. 

Não falo aqui do “aprender a ler” literal, da alfabetização, claro. Falo do pegar um livro nas mãos e devorá-lo história a história, descobrindo a curiosidade dos próximos capítulos e as descobertas novas de cada parágrafo. Me lembro bem do livro – tão bem que consegui achar sua capa no Google, embora digitalmente esfarrapada e comida pelas traças que não perdoam nem mesmo no universo digital: 


Esse livro “funcionou” para mim. Me peguei pensando no motivo dia desses, quando me deparei com uma nova edição na prateleira de uma livraria aqui em São Paulo. Bom… motivos não faltaram. 

Havia os personagens do Sítio do Pica-Pau Amarelo para dar aquele ar infantil; havia histórias que evocam uma curiosidade natural (como a descoberta do fogo, a invenção do avião, o Big Bang); havia uma cadência, um ritmo de narrativa daqueles que empolgam; havia uma extensão perfeita já que nenhuma era longa demais ou curta demais. Havia, enfim, Monteiro Lobato em seu melhor. 

Bom… minha filha de 5 anos não está exatamente alfabetizada, claro. Mas comprei o livro e decidi testá-lo com ela. Resultado? 

Do Big Bang aos romanos, ela amou cada palavra. Foi descobrindo que histórias não precisamos ser lidas de capa a capa na mesma hora, foi deduzindo o mundo à sua volta, foi ficando mais curiosa com tudo na medida em que saciava cada curiosidade. Verdade seja dita, os únicos trechos que ela não curtia mesmo eram os que tinham Dona Benta dialogando com Pedrinho e Narizinho, justamente o que havia sido criado para dar um toque mais infantil a acontecimentos tão… terrenos. 

Claro: houve momentos em que eu acabei usando uma espécie de “tecla SAP” e outros que eu criei um pouco de romance que sabia que cairiam bem, mas, em essência, esse livro foi uma espécie de terremoto intelectual na pequena mente de uma menina de 5 anos. 

A conclusão que acabei chegando? Por algum motivo qualquer, possivelmente pelo enormidade de estímulos de informação que recebem minuto a minuto, crianças hoje parecem muito mais inteligentes que as de ontem. Conclusão óbvia, aliás: basta ver como os nossos pequenos lidam com eletroeletrônicos e questionam realidades que, em nossos tempos, sequer imaginávamos relevantes.

Eu iria ainda além: a capacidade do cérebro de digerir conhecimento inverteu decisivamente a própria cronologia natural, antecipando-se à alfabetização. Crianças de hoje, em outras palavras, não precisam saber ler para querer “ler” uma história qualquer.

Nosso papel como pais? Substituir, ainda que temporariamente, a alfabetização, sendo a ponte entre as histórias que enchem os livros e a curiosidade do mundo que parece coçar a pele de cada filho. 

Dá até uma esperança maior no futuro da humanidade 🙂