As histórias como pontes entre os mundos dos pais e dos filhos

Talvez a coisa mais fantástica desse período de alfabetização de crianças seja o mar de descobertas que se abre para elas. 

No cotidiano da minha filha, para usar um exemplo doméstico, ela está lidando com a sensação de crescimento fortalecida depois que o primeiro dentinho ficou mole, a noção de compartilhamento com a notícia da chegada de uma irmã mais nova, as competições por espaço e autoafirmação de personalidade perante as amigas e os tantos emaranhados de realidade e fantasia que começam a explodir na mente como uma espécie de bomba atômica de interrogações e exclamações. Tudo é surpreendentemente novo.

Claro: crescer é uma tarefa que nunca tem fim e a cada dia nós mesmos, do alto da nossa idade, nos deparamos com surpresas (boas e ruins) que transformam a vida em pura aventura. Mas nós, adultos, temos uma estrutura que, embora nem sempre bem resolvida, certamente é mais “bem definida”. Já sabemos separar jôio de trigo, já encaramos as maldades do mundo como fatos da vida (e não como magias de bruxos malignos) e já entendemos que as soluções para nossos problemas precisam ser construídas por nós mesmos. De certa forma, já entendemos a solidão. 

Crianças, não. Ao contrário: elas precisam de guias para ensiná-las que, ao menos até que o mundo das bruxas e fadas fique para trás e que os tantos medos abstratos virem passado, haverá alguém presente para apontar algum tipo de caminho. O papel de um pai ou de uma mãe pode até ser simplificado aqui: somos provedores de segurança. 

Segurança física, obviamente, protegendo os filhos dos males reais que o mundo cisma em ter, mas também segurança emocional. Nesse sentido, nosso papel passar por saber calcular os passos que devemos dar juntos e os que precisamos incentivá-los a seguir por conta própria; os medos que devemos confortar com abraços e os que devemos repelir; as fantasias que devemos incentivar e as que devemos, ainda que aos poucos, dizer que não passam de imaginação. 

A questão é que não se trata apenas de falar, por mais jeito que se tenha, com os filhos. O importante é se conectar, é falar na língua deles – a mesma que mescla fantasias com realidades em fórmulas tão indivíduais que o mero entendimento acaba ficando difícil. Mas, se podemos considerar que há dois mundos distintos entre adultos e crianças, também podemos considerar que há uma porta que os conecta: histórias. 

Humanos não são diferentes de animais porque sabem fazer contas ou jogar xadrez: somos diferentes porque sabemos consolidar todas as nossas abstrações emocionais em metáforas espremidas em histórias. E isso, acrescento, fazemos desde a mais tenra idade. 

Isso também significa que, do alto do século XXI, temos um vasto cardápio para escolher. Há histórias sobre virtualmente tudo, servindo de guias para que pais e filhos se descubram nessa jornada conjunto rumo ao crescimento. E como elas ajudam? Entregando as mensagens reais que carregam dentro de fantasias que encantam os pequenos. 

Histórias são o idioma das crianças. 

Quer ajudar a sua a caminhar e a desvendar essa selva que é a vida real? Leia para ela. 

 

Livro do mês: Descobrindo Profissões com a Sury

A segunda leva de livros personalizados da Fábrica está saindo agora das gráficas! E o título deste mês é “Descobrindo Profissões com a Sury“.

Profissões – algo por vezes difícil para se explicar para crianças que não entendem exatamente o que nós, pais, fazemos quando saímos de casa.

Pois bem: ensinar o significado de algumas das profissões, destacando aquelas que mais mexem com a imaginação infantil (como veterinários e bombeiros, para ficar apenas em dois exemplos), é sempre algo importante para o próprio processo de crescimento e entendimento de mundo.

Como parte da metodologia narrativa da Fábrica, os nomes dos seus pequenos aparecem como personagens principais, sendo guiados pela cadelinha Sury por esse mundo dos adultos que tanto atiça a imaginação!

Espero que gostem! E, se quiserem dar uma olhada mais a fundo nesse título, é só clicar na imagem abaixo ou neste link aqui: http://www.fabricadehistorinhas.com.br/ebooks_detalhe.aspx?id=f6c65cb3-b095-4e00-81fe-3b95caa1751a

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Primeiras repercussões da Fábrica

Todo começo é sempre recheado de expectativas – e isso vale tanto para uma criança abrindo seus olhos pela primeira vez quanto, claro, para novas empresas.

Não seria diferente conosco, aqui na Fábrica. Foram meses de trabalho, de negociações e de empenho em cada mínimo detalhe – das embalagens à escolha da gramatura ideal de papel, das histórias ao site. E, finalmente, a Fábrica entrou no ar.

Já temos nossos primeiros assinantes, já enviamos os nossos primeiros livros e, agora, começamos a colher alguns feedbacks da comunidade – incluindo algumas redes 100% focadas em temas relacionados a maternidade e paternidade. O resultado?

Orgulho puro.

Principalmente pelo resultado ter batido com o que mais desejávamos, como podem ver pelas imagens abaixo.

Para a Lis que já decorou a história da Estrelinha Ana Luz, para o Dani que pirou ao enxergar a si mesmo e aos seus amigos como Piratas da Praia e para todas as outras crianças, estejam certos que ainda há muito, muito por vir!

Se tem uma coisa que não tem parado, afinal, é a nossa fábrica 🙂

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Lidando com a dificuldade do universo infantil

Nós, adultos, temos a mania de olhar para crianças com alguma inveja sobre a facilidade da vida delas. O raciocínio é sempre o mesmo: crianças só precisam pensar em brincar, crianças não precisam ralar 10 horas por dia em frente a um computador, crianças não tem que pensar em sustentar a família etc.

Sim, é verdade: preocupações de adultos cabem mesmo a adultos. Mas não devemos menosprezar as delas.

Crianças, principalmente as mais novinhas, ainda não sabem diferenciar fantasia de realidade com a brutalidade de um adulto.

Para elas, bruxas, monstros e fadas existem da mesma forma que carros e prédios.

Para elas, uma história bem contada tem o mesmo peso de uma prova ocular qualquer.

Para elas, o que se escuta vale tanto quanto o que se enxerga.

Quer comparar preocupações? Pense você mesmo: o que seria mais preocupante? Entrar no cheque especial ao final do mês ou lidar com um dragão enfurecido escondido embaixo de sua cama?

O universo infantil não é desprovido de preocupações: ele é muito, mas muito mais recheado delas do que o nosso. E a maior dificuldade é que, quando elas compartilham alguns dos tantos medos com os adultos, eles acabam ignorando-os com a solenidade de uma parede.

O remédio para isso? Não há outro senão o próprio tempo e a maturidade que, aos poucos, vai eliminando a sensação de realidade da fantasia. Mas há, claro, como cuidar melhor dessa fase sempre tão complicada: com boas histórias.

E quando digo ‘boas histórias’, aqui, refiro-me a todo um conjunto que inclui livros com enredos bem escritos, fechados, que passem algum tipo de mensagem clara e que sejam contados com a devida empolgação pelo adulto-narrador.

Refiro-me a livros e não a filmes ou desenhos: só livros permitem que as próprias crianças desenhem os personagens e as ações em suas mentes ao invés de ver o que os outros imaginaram para ela. Livros exercitam mais o cérebro do que os olhos.

E refiro-me, sobretudo, à atenção que se deve dar ao universo da criança. A parte mais difícil de se ler uma história na hora de dormir, afinal, é saber também ler e interpretar tudo o que se passa por trás dos olhares atentos do seu filho ou filha.

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