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Já sentiu a reação das crianças ao se verem em uma história?
Temos dois “produtos” aqui na Fábrica: um modelo por assinatura, em que enviamos uma história diferente por mês, e um com histórias de aniversário.
Pelo que percebemos, a maior parte de histórias de aniversário são dadas não pelos pais para os seus próprios filhos, mas sim para os filhos dos outros (incluindo colegas de escola ou familiares). O resultado é incrível.
Como ninguém espera, na prática, receber um livro com sua foto na capa e seu nome protagonizando o enredo, há uma mescla de choque com ansiedade sensacional pela leitura. Aliás, ressalto este ponto: ansiedade pela leitura.
Não é exatamente isso que queremos desenvolver em nossas crianças para que elas se tornem adultos mais cultos, inteligentes e preparados para encarar o futuro?
Sei que sou suspeito para falar mas, ao menos aqui em casa, esse virou o presente oficial das festas dos amigos da minha filha 🙂
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Que tal inverter os papéis?
Crianças de praticamente todas as idades (principalmente a partir dos 3 anos) adoram desenhar. Quando ainda não sabem escrever, os desenhos são as suas formas de contar histórias – muitas das quais escondem personagens assustadores, sonhos fantásticos, visões estereotipadas das pessoas que fazem parte de suas vidas.
Pois bem: e se invertermos os papéis uma noite e fazermos os nossos filhos nos contarem as histórias que criaram a partir das suas ilustrações?
Os primeiros relatos – pelo menos de acordo com a experiência que tive em casa – serão os mais óbvios: casas são casas, borboletas são borboletas, nuvens são nuvens. Mas parte do nosso papel aqui inclui também ser uma espécie de narrador invisível, coadjuvante. Sim, há uma casa – mas o que se passa dentro dela? Sim, há uma nuvem – mas o que acontecerá quando ela decidir chover? E as boboletas voando? O que elas podem estar procurando pelos céus?
A coisa mais incrível desse mundo de histórias é justamente esse infinito de possibilidades.
Sensacional.
Hiperativado
Minha segunda filha nasceu na segunda da semana passada.
De lá para cá houve o natural: lidar com o natural ciúme da minha mais velha, hoje com 5 anos; mergulhar na rotina de troca de fraldas, choros e fomes; ajudar a implementar uma nova rotina de 24 horas na casa; garantir que todos fiquem bem; e, claro, trabalhar. Não há nada de excepcional aqui: todos os pais passam pelas mesmas coisas todos os dias.
Mas, ainda que esteja falando da normalidade, é inegavelmente uma normalidade que cansa.
É como escrever uma nova saga por dia com direito a curvas nos enredos, personagens fantásticos, protagonismos surpreendentes, lições finais e assim por diante.
Mas há outra coisa inegável: a sensação a cada pseudo-final de dia é incrível.
Há coisa melhor que filhos?

Sobre comida e capacidade de aprendizado
Sempre posto aqui sobre a relação entre histórias e o próprio desenvolvimento infantil. Uma coisa está intimamente ligada à outra, claro – são as histórias que despertam sinapses novas e ensinam deduções, fatos do mundo, relações entre causas e consequência.
Mas é óbvio que há mais que isso – muito mais. Um dos fatores mais fundamentais é a alimentação – e a relevância é impressionante. Confira nesse vídeo abaixo:
https://embed.ted.com/talks/lang/pt-br/sam_kass_want_to_teach_kids_well_feed_them_well
Livros gigantes para crianças pequenas?
Sabe qual o único problema de ler historinhas infantis todos os dias?
Livros tem finais.
No caso da maioria dos livros para crianças de 3 a 7 anos, esses finais costumam ser rápidos, mesmo porque tratam-se de histórias que se desenrolam inteiras em 20 ou 30 páginas. Como fazer, então?
Comprar 365 livros por ano? Complicado.
Acabei arrumando uma solução diferente por aqui, com minha filha: temos 3 tipos diferentes de livros.
- Tipo 1: livros novos, que ela traz da biblioteca da escola ou que compramos.
- Tipo 2: livros que já lemos juntos, mas que ela adora e gosta de reler.
- Tipo 3: livros grandes repletos de pequenos contos.
Esse terceiro tipo foi uma baita descoberta, ao menos para mim. Veja: livros infantis precisam ser pequenos, claro, para fixar a história dentro do tempo que uma criança consegue ficar focada. Não adianta muito, principalmente para as mais novinhas, ler obras com 20, 30 capítulos – o interesse acaba desmaiando aos poucos.
É aí que entram livros de contos ou fábulas: cada capítulo é uma história à parte, sendo que todas se somam em um único fio de raciocínio sutilmente mais amplo. E mais: quando a criança se toca de que estamos lendo apenas uma parte daquele mundaréu de páginas e que as outras partes ficarão para os outros dias, ela vai “aprendendo a aprender”, vai entendendo que nem todas as experiências da vida precisam ser deglutidas em suas inteirezas.
O que estou falando aqui pode parecer óbvio… mas paternidade é assim: cada um de nós descobre, em nossos próprios tempos, as mesmas coisas que, provavelmente, a maioria de nós já está careca de saber 🙂
A história de se escrever sobre histórias
Uma das primeiras decisões que tomei quando comecei a Fábrica de Historinhas foi usar este espaço, o blog, para relatar um pouco da minha experiência como pai. Cheguei a me questionar repetidas vezes se não acabaria me arrependendo de escancarar tanta vida pessoal na Internet… mas hoje fico deliz pela decisão.
Estive relendo alguns dos posts escritos nos últimos meses e, no final, acabei concluindo que o próprio blog se tornou – ao menos para mim – um relato vivo da minha história com a minha filha. Aqui já escrevi sobre a reação dela ao se enxergar em uma história, sobre como as noites mergulhadas em páginas tem alterado as nossas vidas, sobre como as imaginações – da criança e do pai – voam a cada novo conto feito para aprendermos mais sobre o mundo e as coisas.
Na medida em que vou escrevendo cada post, vou também evitando que memórias importantes se percam no mar de passados que acumulamos todos os dias… e isso é importante. É como um diário antigo (mas jamais antiquado) em que todo o processo de crescimento intelectual da minha filha acaba sendo, de uma forma ou de outra, registrado.
Falo muito aqui sobre a importância de se ler histórias para crianças – mas essa meta-aventura de se registrar a história da interpretação das histórias é igualmente importante. Nesse sentido, recomendo também a todos os pais e mães que, seja em um blog, no Facebook, no Insta ou no Youtube, aproveitem essa maravilhosa era de informação em que vivemos para fazer exatamente isso: registrar as histórias que todos já vivemos com os nossos próprios filhos.
Há história mais importante que essa, afinal?
Comprei um atlas
Não foi exatamente um atlas – não achei, pelo menos nas livrarias que visitei, nenhum atlas realmente interessante para crianças.
Na verdade, comprei um livro de fotos de viagens incríveis com mapas claros dos locais onde elas foram tiradas. Serviu ao propósito.
O atlas não é para mim: hoje, o Google e a Wikipedia acabam substituindo qualquer título do gênero feito para adultos. Ele é para a minha pequena filha.
Na medida em que eu vou lendo histórias para ela, mais e mais perguntas sobre as localidades em que elas ocorreram vão povoando a noite.
Em alguns casos, claro, os cenários são mundos mágicos e inexistentes… mas há outros bem reais.
Há o Nilo e as Pirâmides, há Roma Antiga, há o Olimpo com seus deuses, há os mares da Bahia.
Mesmo no caso das histórias que se passam em outras dimensões, como o País das Maravilhas de Alice, há o local e o tempo em que Lewis Carroll viveu e o que o inspirou.
Deixei o livro com ela e, sempre que surge alguma pergunta, me socorro dele para mostrar dunas, montanhas ou rios onde enredos se desenrolaram. Funcionou bem.
Continua funcionando.
Dia desses cheguei em casa do trabalho em silêncio e ela estava sozinha no seu quarto. Quando olhei, lá estava ela mergulhada nas fotos incríveis da Índia, provavelmente imaginando onde seria aquele lugar tão colorido e cheio de pessoas e animais exóticos.
Dá para perceber que essa nova curiosidade instalada tem ficado cada vez mais frequente pelos papos cotidianos e, claro, pela “aparição” do “atlas acidental” em todos os cantos da casa como que denunciando seu pequeno rastro.
Minha esperança? Que isso faça crescer mais nela aquele bichinho chamado de curiosidade pelo mundo, que ela cresça com vontade de devorar cada país que nos cerca.
Daqui a uns 10 ou 12 anos eu passo por aqui para contar se funcionou.

Aprendendo a conviver com novas crianças na família
Minha filha tem 5 anos.
Até pouco tempo ela era filha única, sobrinha única, neta única.
Mas Isa nunca foi mimada, ao menos não no sentido pejorativo do termo – confesso, meio que seguindo uma linha de pai-babão, que ela tem uma maturidade impressionante.
Ainda assim, ela tem 5 anos.
Na semana retrasada, meu sobrinho nasceu.
Daqui a uns dois meses, sua nova irmã nascerá.
De repente, o mundo de criança única se desmoronou em uma divisão de atenção total envolvendo pais, tios, padrinhos, avós.
Perguntamos a ela se estava se sentindo deixada de lado, se estava angustiada, se estava agoniada com alguma coisa. A resposta era quase adulta: “não, sempre quis ter uma irmã e amei meu priminho”. Adulta demais para ser verdadeira, em minha opinião.
Só que crianças não se comunicam só pela fala: há que se entender os tantos signos que as cercam.
Alguns pequenos tiques apareceram. A sala se transformou em uma passarela onde ela desfila todas as roupas do armário todas as tardes. Comer ou escovar os dentes, tarefas que ela já fazia sozinha, viraram momentos de pedido de ajuda para mim ou para a minha mulher.
Por outro lado, não foram poucas as vezes que a percebemos brincando sozinha em um canto da casa, sem sequer perguntar se alguém gostaria de se juntar a ela (algo inimaginável há alguns poucos meses). Seu olhar e ouvido parecem ficar aguçadíssimos sempre que os nomes das novas crianças é mencionado. Medos noturnos passaram a ser mais frequentes.
Ela até caiu da cama no dia seguinte ao que os avós baianos vieram ver o priminho que acabara de nascer – uma reação inconsciente óbvia de quem julga estar perdendo seu lugar.
Hora de agir.
Sei que devemos dar espaço para que nossos filhos desenvolvam suas próprias couraças com as surpresas e frustrações da vida – mas sei também que uma atenção a mais no momento certo não há de fazer mal. E, se diálogos diretos são infrutíferos por erguerem as defesas de crianças que não querem assumir assim, tão abertamente, suas fraquezas, há que se navegar junto pela sua imaginação.
Navegar junto com um filho pela sua imaginação significa essencialmente duas coisas: brincar e contar histórias. Aliás, corrijo-me: o que é brincar, afinal, senão inventar um enredo colaborativo?
Tenho aproveitado cada segundo com ela efetivamente fabricando historinhas: algumas usando suas bonecas, outras a partir de datas específicas (como no Dia de Yemanjá, no 2 de fevereiro), outras com base nos livros personalizados (que tem sido perfeitos para isso) ou nas histórias do mundo do Monteiro Lobato.
Confesso que ainda não posso dizer que tudo está perfeito: medos e angústias não são como unhas encravadas e levam mais tempo para se resolverem. Mas uma coisa posso garantir: o olhar dela muda radicalmente e a pontinha de agonia se metamorfoseia instantaneamente em confiança (nos pais e em si própria) nos momentos em que as histórias estão em curso. Há de ser um bom sinal, certo?
Histórias… Poucas coisas são mais úteis para a educação de uma criança do que histórias.




