Livros são muito, mas muito mais importantes que filmes ou desenhos

Desculpem se ofendi alguém com a afirmação no título do post: a ideia não é denegrir nenhuma forma de arte.

Mas repito-me: livros são muito, mas muito mais importantes que filmes ou desenhos.

Por que?

Porque livros são histórias que acontecem na mente dos leitores.

Quando uma criança assiste a um desenho, há todo um enredo devidamente traduzido em figuras, vozes e cenários já criados para ela. Já houve uma interpretação feita por um diretor, já há formas atribuídas para as suas fantasias, já há cores, densidades, importâncias pensadas por outros. A criança apenas as digere.

Não com livros.

Com livros, tudo o que pode haver é a voz de um pai ou mãe lendo para seu filho ou filha. Os cenários? Eles até podem ser ilustrados – mas a falta de movimentos os transporta diretamente para a imaginação de uma criança. Em um livro, é a mente da criança que constrói as ações, que completa os enredos, que determina os estilos de cada um dos personagens.

Filmes e desenhos são assistidos por crianças passivamente.

Livros são sempre co-escritos por elas em suas mentes.

A diferença é brutal – assim como os efeitos para o seu desenvolvimento.

Sobre livros e o ensinamento do Tempo

Para nós, adultos, o Tempo é relativamente simples de entender: temos o nosso passado, dosamos cada uma das decisões que tomamos no dia-a-dia, projetamos com base nelas o nosso futuro. Há, senão uma certeza de que tudo dará certo, pelo menos uma expectativa de previsibilidade. Poucas coisas são mais reconfortantes que isso.

Não para uma criança: para ela, o Tempo é uma caixa preta.

Ela tem, claro, o seu curto passado: tem os dias de ontem, tem as festas que participou, as broncas que tomou e que impregnaram em seu instinto a diferença entre certo e errado. Ela tem também o seu presente – mas a impulsividade com que costuma decidir e reagir, motivada pela pura falta de entendimento sobre consequências de longo prazo, faz com que cada minuto seguinte seja uma possível surpresa. E o futuro? Uma criança de 3, 4, 5, 6 anos tem algum tipo de projeção sobre a sua vida quando tiver 30 ou 40? Não. Ela tem as suas fantasias, o poder lúdico de imaginar o que poderá ser – bailarina, superherói, motorista de ônibus ou médico… mas a própria facilidade com que os sonhos mudam comprova o quão aberto é o futuro.

Isso não está errado – claro. A coisa mais difícil de se entender no mundo é justamente a noção de Tempo: o conhecimento do passado, os efeitos do presente, os impactos disso nas possibilidades do futuro.

Mas, ao mesmo tempo, é também o entendimento mais valioso que uma criança pode ter. Por que? Porque nossa vida é regrada, precisamente, pelo Tempo. Quanto mais cedo o entendermos, mais cedo começaremos a construir as nossas felicidades dosando impulsividade e previsibilidade, intempestividade e controle. Quanto mais cedo entendermos o Tempo, mais cedo conceberemos a fórmula perfeita para transformá-lo em felicidade de acordo com as nossas estruturas de vida.

E esse é, provavelmente, o maior dos benefícios de um livro. Livros, claro, são compostos de enredo – e enredos são pura cronologia. Enredos partem de um cenário inicial, desembocam nas decisões tomadas pelo protagonista, apresentam as consequências dessa decisão. Livros ensinam muito mais do que meia dúzia de lições de moral para crianças: livros ensinam o Tempo.

E ensinam utilizando a linguagem lúdica de uma criança, brincando com sua imaginação, atiçando suas noções de mundo e provocando deduções impossíveis de se ter em outros meios.

Livros são, possivelmente, a maior das invenções do homem para capturar para si a felicidade.

Utilizemo-nos com os nossos filhos.

Infinity time. Digital generated

Fábrica agora trabalha com boleto

Temos dois tipos de produto aqui na Fábrica: os livros por assinatura e os livros de aniversário, vendidos de maneira avulsa.

No caso do primeiro, claro, trabalhamos efetivamente apenas com cartões de crédito e PayPal – não há como gerir assinaturas mensais com boleto a não ser inserindo um fluxo manual de checagens que inviabilizaria o processo como um todo.

Mas, no caso dos livros personalizados de aniversário, a coisa já muda de figura. Como não há recorrência – trata-se de um pagamento único – já é possível escolher entre todas as modalidades mais relevantes de compra (cartão de crédito, PayPal e, a partir de agora, boleto bancário).

O post de hoje é curtinho, só pra dizer isso mesmo 🙂

Usando festas de aniversário para entender melhor as nossas crianças

E não são?

Esse fim de semana fomos a um aniversário de um amigo da minha filha. Havia o tradicional, o que todos nós, pais, já estamos habituados a ver: animadores, crianças correndo para cima e para baixo, novos laços sendo feitos, amizades ganhando ou perdendo corpo, bolos, brigadeiros, famílias.

Tudo normal, certo?

Certo – só que apenas para nós, adultos.

Para uma criança, festas assim são um desafio à parte, uma oportunidade perfeita de amadurecimento em que se deve lidar com ambientes naturalmente mais competitivos que o ambiente familiar natural. Em outras palavras: cada festa de aniversário é, por natureza, uma trama à parte que cada criança, aniversariante ou convidada, está escrevendo.

O que resta a nós, pais, fazermos? Ler essas tramas, essas histórias.

Nesses casos, nos resta dar espaço e deixar as crianças se desenvolverem nas suas próprias comunidades. E, claro, observar, da primeira fila, esse amadurecimento acontecer com os nossos pequenos: ver a maneira que eles resolvem conflitos, como se impõem ou se resignam, como se divertem, como agem em suas comunidades.

Isso nos permitirá uma espécie de “diagnóstico”: saberemos (ou pelo menos teremos uma ideia mais precisa sobre) quais os elementos que precisam ser mais trabalhados em nossos filhos. Timidez? Saber ganhar? Saber perder? Saber negociar?

A partir daí vem o óbvio: usar a nossa observação para guiar a nossa educação, (incluindo a escolha de livros infantis que melhor se encaixarem em cada situação).

Aniversários não são apenas comemorações, fins em si mesmas: são um ponto de partida perfeito para se realinhar a educação que nós mesmos estamos dando a nossos filhos.

 

 

Histórias e vocabulário

Logo que comecei a contar histórias para a minha filha, minha maior preocupação era que ela não se perdesse em vocábulos que ela desconhecia. Minha solução? Traduzi-losdiretamente do papel, trocando algumas palavras dos textos por outras que sabia que ela conhecia.

Até que me toquei do quanto essa ideia era péssima.

O raciocínio é simples, mas tão simples, que chega a ser constrangedor. Além dos enredos em si, um dos grandes papéis de histórias – infantis ou não – é ampliar o nosso vocabulário. Com um acervo maior de palavras aprendidas em contextos claros, podemos formular melhor os nossos próprios pensamentos e criar linhas de racionalização muito mais sofisticadas.

Por outro lado, se fugirmos das novas palavras unicamente por elas serem novas, ficaremos sempre presos ao desenvolvimento de pensamentos mais tacanhos, pouco evoluídos, simplórios.

Se isso serve para um adulto de 40 anos, por que não serviria para uma criança de 5 ou 6, justamente na fase perfeita para sugar conhecimento?

Mudei de estratégia, claro. Hoje, ao invés de traduzir palavras, substituindo o novo pelo conhecido, eu as mantenho e, sempre que percebo uma interrogação no olhar da minha filha, páro e as defino melhor.

Não quero exagerar na “corujisse”, mas o fato é que bastaram algumas semanas para que ela desse um salto de inteligência, formulando pensamentos tão sofisticados que até nós, pais, desenvolvemos um hábito de ficar chocados no cotidiano.

É impressionante o quanto nossos filhos nos ensinam quando tentamos ensiná-los.

A geografia de uma criança

Às vezes, quando me pego contando alguma história para a minha filha de 5 anos, esqueço que alguns referenciais simplesmente não existem para ela.

Para uma criança, o mundo é feito de familiaridades temporária e geograficamente dispersas entre si, descoladas, desconectadas. É um mundo tão diferente que sequer nos damos conta do que estamos contando.

A África, por exemplo, é uma terra com savanas por onde passam leões caçando girafas – mas que também divide espaço com os mesmos prédios pichados e avenidas largas que ela está habituada a ver na São Paulo que vivemos.

Esses prédios são tão onipresentes quando o céu e o arco-íris, aliás.

A Austrália não é muito diferente da África – basta trocar leões e girafas por cangurus.

A Europa, por sua vez, é uma grande Suécia pontilhada de castelos encantados e banhada pelo delicioso clima do sul da Itália. Exceto por Portugal, claro, que na verdade se resume ao apartamento de seus avós.

Há ainda, em sua cabeça, outros mundos que não se encaixam exatamente em continentes: o Egito com suas pirâmides, a Grécia com seus Deuses, a Babilônia com suas torres. Todos eles existem, embora não se saiba ao certo onde ou habitado por quem.

Estados Unidos? Não é exatamente um lugar. Tem os vulcões do Havaí e os belos prédios brancos de Washington, além de um louco artificialmente bronzeado que volta e meia aparece na TV para tomar o tempo de seus desenhos.

São visões de partes, de pequenas histórias ainda sem muita noção de espaço e tempo que, um dia, se costurarão em sua cabeça.

Um dia.

Talvez o marco do fim da infância seja justamente o momento em que esses lugares incríveis se fecharem no mesmo mundo e se dispersarem por muitos tempos.

Um dia, antes que isso ocorra, vou pedir à minha filha que desenhe o mundo tal qual ela o enxerga.

Será a história de todas as histórias.

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As histórias de fora

Dia desses peguei um livro que uma amiga minha, enquanto estava viajando pelo Atacama, comprou de presente para a minha filha.

O livro era sobre uma indiazinha que cuidava de llamas e que, um dia, acabou sendo levada por uma tempestade para além das montanhas nevadas e precisava achar de volta a sua casa. A história em si era semelhante às tantas que existem por aqui: falava de medo de abandono, da importância do amor como forma de se enxergar no mundo etc. Nesse caso, no entanto, não era a história que importava tanto: eram os referenciais.

Certamente, a história de uma indiazinha no Atacama deve ser extremamente familiar para chilenos – mas, para uma criança brasileira, pouca coisa poderia ser mais exótica. Enquanto eu ia traduzindo os textos a partir do meu próprio portunhol atravancado, Isa viajava nas imagens das llamas, nas montanhas que se confundiam com nuvens, de tão altas, nos desertos de sal, na própria figura de uma índia andina tão diferente das “nossas”.

Não foi uma história de dormir: foi uma viagem pelo imaginário de um outro mundo feito especialmente para crianças.

Foi uma experiência fenomenal.

Acrescentei, com isso, um item fundamental para qualquer viagem: uma visita a livrarias locais onde possamos escolher novas histórias que abram novos mundos para crianças.

O que mais podemos fazer por elas, afinal, senão abrir esses mundos?

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Fantasias inventando histórias

Primeiro, foi da Frozen. Depois, da Ariel.

Em seguida, as princesas (finalmente!) cansaram e começamos a inventar piratas, fadas, macacos mágicos.

Depois ela se entregou ao calor: queria mesmo era ficar de biquini (mesmo que se dissesse, em alguns momentos, uma vampira).

Fosse como fosse, minha filha passou esses últimos dias brincando de ser personagens. E nós?

Nós ficamos no entorno, dando volume à imaginação com histórias que se encaixassem nas suas fantasias. Nos transformamos em livros sendo escritos em tempo real, meio que por acidente, de maneira totalmente colaborativa. Criamos ondas de sorvete, céus com tempestades tumultuando os vôos das fadas e unicórnios, selvas brilhantes, oceanos de Nutella, torres mágicas, sofás voadores.

E quer saber? Foram histórias sensacionais essas – todas absolutamente diferentes das que costumamos comprar em livrarias. Todas, inclusive, bem mais empolgantes.

A descoberta do Carnaval, ao menos para mim, não poderia ter sido outra: deveríamos deixar as próprias crianças escreverem as histórias. Poucos adultos, afinal, conseguem chegar a um pico imaginativo como o delas!

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(Agora, se me dão licença, está na hora de experimentar alguma fantasia nova – o Carnaval só termina amanhã!!!)