Já sentiu a reação das crianças ao se verem em uma história?

Temos dois “produtos” aqui na Fábrica: um modelo por assinatura, em que enviamos uma história diferente por mês, e um com histórias de aniversário

Pelo que percebemos, a maior parte de histórias de aniversário são dadas não pelos pais para os seus próprios filhos, mas sim para os filhos dos outros (incluindo colegas de escola ou familiares). O resultado é incrível. 

Como ninguém espera, na prática, receber um livro com sua foto na capa e seu nome protagonizando o enredo, há uma mescla de choque com ansiedade sensacional pela leitura. Aliás, ressalto este ponto: ansiedade pela leitura. 

Não é exatamente isso que queremos desenvolver em nossas crianças para que elas se tornem adultos mais cultos, inteligentes e preparados para encarar o futuro? 

Sei que sou suspeito para falar mas, ao menos aqui em casa, esse virou o presente oficial das festas dos amigos da minha filha 🙂

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Hiperativado

Minha segunda filha nasceu na segunda da semana passada.

De lá para cá houve o natural: lidar com o natural ciúme da minha mais velha, hoje com 5 anos; mergulhar na rotina de troca de fraldas, choros e fomes; ajudar a implementar uma nova rotina de 24 horas na casa; garantir que todos fiquem bem; e, claro, trabalhar. Não há nada de excepcional aqui: todos os pais passam pelas mesmas coisas todos os dias.

Mas, ainda que esteja falando da normalidade, é inegavelmente uma normalidade que cansa.

É como escrever uma nova saga por dia com direito a curvas nos enredos, personagens fantásticos, protagonismos surpreendentes, lições finais e assim por diante.

Mas há outra coisa inegável: a sensação a cada pseudo-final de dia é incrível.

Há coisa melhor que filhos?

As histórias mais longas

No mundo em que vivemos, uma das lições mais difíceis de ensinar a crianças é que elas não podem ter tudo.

A dificuldade é por motivos óbvios: brinquedos estão por toda parte, há uma centena de canais de TV, há um Youtube inteiro com desenhos sob demanda. Aliás, a raiz do problema é exatamente esta: tudo em nossos tempos é sob demanda.

Só que não adianta brigar contra a modernidade: há que se conviver com ela.

Às vezes, com pequenos ‘nãos’ dispersos pelo cotidiano. Às vezes, com regras mais rígidas que tenham como motivo único ensinar limites. E, às vezes, com histórias.

De que maneira?

Crianças menores, com 4, 5 ou 6 anos, costumam ter alguma dificuldade em lidar com a ‘espera’. Isso se reflete bem em histórias: elas querem ir de capa a contracapa, assegurando-se de que terão completado sagas e enredos sem deixar nada para trás.

Fiz um experimento com isso lá em casa há algumas semanas: comprei um livro imenso de fábulas. Seria impossível lê-lo na íntegra em uma noite só: a única alternativa seria ir de fábula em fábula. Uma por noite. Uma de cada vez. Deixando claro que havia muito mais história para os próximos dias naquele mesmo livro do que o que veríamos naquela noite.

No começo, não foi exatamente fácil. Foi difícil para a minha filha conceber a possibilidade de um livro digerido aos poucos, dia a dia: ela parecia mais ‘movida’ pelo fato de não terminá-lo do que pela história que acabava de ouvir.

Persisti, claro.

E o resultado foi incrível.

Nas noites seguintes, a agonia foi cedendo espaço à curiosidade. Ela já sabia que veria uma história por noite – e ficava ansiosa pela noite e por saber quais novos mundos desbravaríamos naquele livro.

Nos dias seguintes, mais calma começou a transparecer – como um súbito movimento de maturação.

Tudo por causa de um livro grande? Certamente que não: mudanças nunca ocorrem por uma única causa. Mas de uma coisa não tenho dúvidas: dormir com a sensação de falta certamente ajuda a lidar melhor com as angústias naturais relacionadas à saciedade dos desejos.

Livros são muito, mas muito mais importantes que filmes ou desenhos

Desculpem se ofendi alguém com a afirmação no título do post: a ideia não é denegrir nenhuma forma de arte.

Mas repito-me: livros são muito, mas muito mais importantes que filmes ou desenhos.

Por que?

Porque livros são histórias que acontecem na mente dos leitores.

Quando uma criança assiste a um desenho, há todo um enredo devidamente traduzido em figuras, vozes e cenários já criados para ela. Já houve uma interpretação feita por um diretor, já há formas atribuídas para as suas fantasias, já há cores, densidades, importâncias pensadas por outros. A criança apenas as digere.

Não com livros.

Com livros, tudo o que pode haver é a voz de um pai ou mãe lendo para seu filho ou filha. Os cenários? Eles até podem ser ilustrados – mas a falta de movimentos os transporta diretamente para a imaginação de uma criança. Em um livro, é a mente da criança que constrói as ações, que completa os enredos, que determina os estilos de cada um dos personagens.

Filmes e desenhos são assistidos por crianças passivamente.

Livros são sempre co-escritos por elas em suas mentes.

A diferença é brutal – assim como os efeitos para o seu desenvolvimento.

Fábrica agora trabalha com boleto

Temos dois tipos de produto aqui na Fábrica: os livros por assinatura e os livros de aniversário, vendidos de maneira avulsa.

No caso do primeiro, claro, trabalhamos efetivamente apenas com cartões de crédito e PayPal – não há como gerir assinaturas mensais com boleto a não ser inserindo um fluxo manual de checagens que inviabilizaria o processo como um todo.

Mas, no caso dos livros personalizados de aniversário, a coisa já muda de figura. Como não há recorrência – trata-se de um pagamento único – já é possível escolher entre todas as modalidades mais relevantes de compra (cartão de crédito, PayPal e, a partir de agora, boleto bancário).

O post de hoje é curtinho, só pra dizer isso mesmo 🙂

Livros gigantes para crianças pequenas?

Sabe qual o único problema de ler historinhas infantis todos os dias? 

Livros tem finais.

No caso da maioria dos livros para crianças de 3 a 7 anos, esses finais costumam ser rápidos, mesmo porque tratam-se de histórias que se desenrolam inteiras em 20 ou 30 páginas. Como fazer, então? 

Comprar 365 livros por ano? Complicado. 

Acabei arrumando uma solução diferente por aqui, com minha filha: temos 3 tipos diferentes de livros.

  • Tipo 1: livros novos, que ela traz da biblioteca da escola ou que compramos. 
  • Tipo 2: livros que já lemos juntos, mas que ela adora e gosta de reler.
  • Tipo 3: livros grandes repletos de pequenos contos. 

Esse terceiro tipo foi uma baita descoberta, ao menos para mim. Veja: livros infantis precisam ser pequenos, claro, para fixar a história dentro do tempo que uma criança consegue ficar focada. Não adianta muito, principalmente para as mais novinhas, ler obras com 20, 30 capítulos – o interesse acaba desmaiando aos poucos. 

É aí que entram livros de contos ou fábulas: cada capítulo é uma história à parte, sendo que todas se somam em um único fio de raciocínio sutilmente mais amplo. E mais: quando a criança se toca de que estamos lendo apenas uma parte daquele mundaréu de páginas e que as outras partes ficarão para os outros dias, ela vai “aprendendo a aprender”, vai entendendo que nem todas as experiências da vida precisam ser deglutidas em suas inteirezas. 

O que estou falando aqui pode parecer óbvio… mas paternidade é assim: cada um de nós descobre, em nossos próprios tempos, as mesmas coisas que, provavelmente, a maioria de nós já está careca de saber 🙂 

Histórias e vocabulário

Logo que comecei a contar histórias para a minha filha, minha maior preocupação era que ela não se perdesse em vocábulos que ela desconhecia. Minha solução? Traduzi-losdiretamente do papel, trocando algumas palavras dos textos por outras que sabia que ela conhecia.

Até que me toquei do quanto essa ideia era péssima.

O raciocínio é simples, mas tão simples, que chega a ser constrangedor. Além dos enredos em si, um dos grandes papéis de histórias – infantis ou não – é ampliar o nosso vocabulário. Com um acervo maior de palavras aprendidas em contextos claros, podemos formular melhor os nossos próprios pensamentos e criar linhas de racionalização muito mais sofisticadas.

Por outro lado, se fugirmos das novas palavras unicamente por elas serem novas, ficaremos sempre presos ao desenvolvimento de pensamentos mais tacanhos, pouco evoluídos, simplórios.

Se isso serve para um adulto de 40 anos, por que não serviria para uma criança de 5 ou 6, justamente na fase perfeita para sugar conhecimento?

Mudei de estratégia, claro. Hoje, ao invés de traduzir palavras, substituindo o novo pelo conhecido, eu as mantenho e, sempre que percebo uma interrogação no olhar da minha filha, páro e as defino melhor.

Não quero exagerar na “corujisse”, mas o fato é que bastaram algumas semanas para que ela desse um salto de inteligência, formulando pensamentos tão sofisticados que até nós, pais, desenvolvemos um hábito de ficar chocados no cotidiano.

É impressionante o quanto nossos filhos nos ensinam quando tentamos ensiná-los.

As histórias de fora

Dia desses peguei um livro que uma amiga minha, enquanto estava viajando pelo Atacama, comprou de presente para a minha filha.

O livro era sobre uma indiazinha que cuidava de llamas e que, um dia, acabou sendo levada por uma tempestade para além das montanhas nevadas e precisava achar de volta a sua casa. A história em si era semelhante às tantas que existem por aqui: falava de medo de abandono, da importância do amor como forma de se enxergar no mundo etc. Nesse caso, no entanto, não era a história que importava tanto: eram os referenciais.

Certamente, a história de uma indiazinha no Atacama deve ser extremamente familiar para chilenos – mas, para uma criança brasileira, pouca coisa poderia ser mais exótica. Enquanto eu ia traduzindo os textos a partir do meu próprio portunhol atravancado, Isa viajava nas imagens das llamas, nas montanhas que se confundiam com nuvens, de tão altas, nos desertos de sal, na própria figura de uma índia andina tão diferente das “nossas”.

Não foi uma história de dormir: foi uma viagem pelo imaginário de um outro mundo feito especialmente para crianças.

Foi uma experiência fenomenal.

Acrescentei, com isso, um item fundamental para qualquer viagem: uma visita a livrarias locais onde possamos escolher novas histórias que abram novos mundos para crianças.

O que mais podemos fazer por elas, afinal, senão abrir esses mundos?

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